Um jogador identificado com o clube, identificado com a História do clube, que carrega o DNA deste clube como se tivesse nascido aqui, como se fôsse cria das categorias de base. Eu vi o Aírton jogar em final de carreira e, muito garoto ainda eu não lembro dele jogando. Mas lembro da novela que era ele marcando o Pelé em jogos no antigo Estádo Olímpico. O próprio Pelé dizia que era um jogo de gigantes e que o Airton era um marcador implacável,sem dar um só pontapé. Vi Ary Hercílio, os uruguaios Atílio Genaro Ancheta, jogou dez anos no Grêmio, e Hugo de León, que levantou as taças da Libertadores e do Mundial de Clubes em 1983, com a braçadeira de capitão. Ví Oberdan, que chegou avisando que ninguém mais faria gol de cabeça na área do Grêmio e cumpriu a promessa. Vi Adilson, que bateu três pênaltis um só jogo contra o Athético do Paraná e acertou todos. Vi Edinho fazer gol de falta com trinta e cinco metros de distância e dar volta olímpica com a taça da 1ª Copa do Brasil.
Todos estes citados, porque os ví sair de campo sangrando, sujos, exaustos, demonstrando infinita capacidade de entrega ao clube, ao time e, principalmente, à torcida.
Todavia, eu vi também outros dois monstros. Jogaram ao mesmo tempo, fizeram dupla de zagueiros por quase dez anos: Pedro Geromel e Walter Kannemann. Este último eu vi jogar com dedos do pé quebrados, mancando e chorando de dor, mas dividindo bola e chutando. Vi ele dar carrinho de cabeça, rente ao chão, espalhando água de chuva, num perigoso malabarismo para evitar um gol adversário. Vi ele jogar, vi ele protestar. Vi um jogador ser ovacionado como nunca tinha visto antes, não por sua capacidade técnica (excelente) mas pela coragem e entrega.